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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

1ª Tentativa do 1º Ciclo de FIV

Oie gente! Chegamos em 2021!

Resolvi reorganizar as postagens relativas à FIV, por tentativas. Acho que fica mais organizado... Como vocês já sabem, tudo começou no mês de agosto de 2020. Foram basicamente 4 meses tomando altas doses de medicação, na tentativa de fazer o endométrio chegar num tamanho recomendável para fazer a implantação dos embriões.

Na segunda "leva" de medicação, já no mês de setembro, a Dra. queria fazer a implantação a fresco, o que significa fazer a fecundação in vitro e logo depois implantá-los no útero.  A partir de então foi uma correria, fazer a fresco é transferir embriões sem congelamento. Corri para terminar os exames de sangue, e Allan os exames dele. Logo depois, no dia que foram aspirados os óvulos da doadora, Allan foi lá e deixou o material dele para preparação dos embriões, nesse meio termo eu estava fazendo o controle do endométrio por meio de ultrassom, e vieram algumas medicações a mais. 

Comecei a tomar Viagra duas vezes ao dia, para melhorar a circulação da região uterina, Vitamina E, ASS e o aumento da dose do Primogyna. Não se assustem, pois é bem comum o uso do Viagra em tentantes com problemas de endométrio. E pela segunda vez, meu endométrio aumentou, mas não o suficiente. O endométrio está "bonitinho" palavras dela, trilaminar, sem problema nenhum, segundo o ultrassom, sem defeitos, mas precisa engrossar mais pra implantar com mais chances de dar certo. Então, não realizamos a FIV. E recomeçamos mais um ciclo. O que aconteceu condiz com o que as médicas de Brasília do grupo que faço parte, me falaram... Que, no meu caso, pode ser necessário 2 a 3 meses de medicação para que o útero fique "preparado". Que eu persistisse.

Eu já estava tomando o Utrogestan, outro hormônio (progesterona) que "ajuda na recepção" dos embriões, então continuei tomando ele por 5 dias, que segundo a médica ele induziria o sangramento, uma vez que meu corpo percebesse que não havia gravidez. E durante esse tempo, recebi a ligação da embriologista que disse que havia conseguido fertilizar 7 embriões, o que pareceu ser um bom número. Tentei encontrar algo sobre isso na internet mas não achei nada, afinal sou "Tentante FIV com ovodoação" de primeira viagem.

Dos 7 embriões, após 3 dias apenas 2 tiveram um desenvolvimento rápido e então foram congelados. Depois de mais 3 dias, mais 3 que estavam mais lentinhos se desenvolveram e também foram congelados. No total tenho 5 embriões para implantação, acho que a médica deve fazer 2 tentativas, uma com 2 e outra com 3, mas isso ainda não foi discutido. Acho que consegui um bom número de embriões!

Basicamente esse foi o resumo do que aconteceu de agosto até novembro. Não lembrei de anotar todas as medidas do desenvolvimento do endométrio, mas segue o que eu consegui anotar: 

1º Ciclo Menstrual Artificial 

13.08 - 2 mm >>  26.08 - 4 mm >> 31.08 - 6,9 mm

2º Ciclo Menstrual Artificial

06.09 - Sangramento >> 21.09 - 7,1 mm

3º Ciclo Menstrual Artificial

29.09 - Sangramento >> 02.10 - 3 mm >> 08.10 - 5,8 mm >> 13.10 - 7 mm

4º Ciclo Menstrual Artificial

22.10 - Sangramento >> 27.10 - 5,5 mm >> 03.11 - 6,7 mm + aplicação de PRP >> 05.11 - 7,6 mm >> 07.11 - 8,2 mm >> 11.11 - 8,8 mm + TEC  

Como vocês viram no resumo acima, no mês de novembro a Dra. Altina sugeriu a aplicação de PRP (Plasma Rico em Plaquetas), como eu já havia lido sobre isso na internet, decidi fazer. Apesar de não ter ainda a certeza de sua eficácia, não implica risco algum, pois é feito com seu próprio sangue, que vai pra uma centrífuga onde separam-se as plaquetas e o plasma e isso é aplicado dentro do útero (no meu caso) ou nos ovários. O PRP é utilizado em diversas áreas, no Brasil ainda em caráter experimental mas os pesquisadores estão escrevendo e pesquisando e acredito que em breve revolucionará muita coisa na medicina, é utilizado até para dermatologia. Clique aqui e aqui para saber mais sobre o que é PRP. No meu caso, claramente ele ajudou bastante! Foram retirados 2 tubos de sangue, aguardei uns 40 minutos, e aplicaram dentro do útero, e fui pra casa. Só tranquilidade.

No dia 11 de novembro (como coloquei nas datas lá em cima) fiz a TEC (Transferência de Embriões Congelados), tudo muito tranquilo. Ao chegar na clínica, foi preciso ficar com a bexiga cheia para poder visualizar no ultrassom a colocação dos embriões no útero. A equipe é maravilhosa, todas muito animadas, Allan entrou comigo pra ver a implantação e a embriologista me deu as "fotos" dos embriões, e decidimos que dois seriam colocados, apesar de minha idade permitir 3, mas como meu útero é pequeno não haveria espaço para 3. Funciona assim: + 20 anos - até 2 embriões, + 30 anos - até 3 embriões, + 40 anos - até 4 embriões. 

Embriões blastocistos implantados na FIV

Fui pra casa, vida normal, só evitar dirigir e coisas que exigiam muito esforço como ficar subindo e descendo escadas, ou pegar pesos... O dia 11, foi numa quarta-feira, lembro que na sexta-feira final da tarde, começo da noite comecei  a sentir cólicas, não era nada muito forte, mas um leve incômodo... No dia seguinte parou... Segui o restante dos dias sem sentir muita coisa, só um momento ou outro sentia uma cólicazinha leve. Mas 14 dias depois fiz o Beta HCG e deu negativo. 

É importante lembrar que pra mim nada nesse processo foi doloroso. E com isso não quero dizer que é algo fácil para qualquer um, cada um sabe da sua dor. Mas pra mim está "de boa". Eu já sei que não posso, e estou tentando. Falei com Dra. Altina e agora estou marcando uma histeroscopia. Vamos investigar se existe algum outro problema, já que no ultrassom o útero está ok. 

E seguimos! Que 2021 seja melhor que 2020!

Feliz Ano Novo.




sábado, 5 de setembro de 2020

"Descobrindo que é o mar azul"

Foram 13 dias tomando Primogyna para tentar a estimulação do endométrio... Por telefone, o pessoal da clínica entrou em contato comigo para saber se iríamos fazer a tentativa agora, ou esperar mais um pouco, pois já temos uma doadora com meu fenótipo e mesmo tipo sanguíneo. E decidimos tentar agora, não tem mais por que esperar. E como eu trabalho no Sertão, o ideal é aproveitar a quarentena para tentar engravidar, já que estou trabalhando remotamente, e não preciso viajar 624 km todo fim de semana (o dobro disso, contando a ida e a volta). 

Dia 26 de agosto, ultrassom marcado, e sim temos resposta! No último exame, o endométrio estava com 2 mm e após 13 dias de medicação passou para 4 mm, em algumas partes aproximadamente 5 mm. Saí de lá com um aumento da dosagem do mesmo remédio, pois a médica disse que ainda está fino, como se eu "tivesse acabado de menstruar". Ela praticamente triplicou a dosagem e fiquei de voltar no dia 31.

Dia 31 de agosto, um segundo ultrassom. E sim, conseguimos melhorar. O endométrio foi para 6.9 mm, ela considerou 7 mm. Ligou para Dra. Altina e decidiram passar uma segunda medicação com o objetivo de me fazer "sangrar". Vou tomar por 3 dias, e em torno de 3 a 4 dias após o último comprimido, o sangramento deve vir, e eu preciso comunicar na clínica quando acontecer. Nesse dia já me perguntaram sobre os exames, pediram para dar andamento e só não fazer o exame de zica, por ter validade de apenas 30 dias.

Desde então, fiz o exame de colposcopia e citologia, faltam os ultrassons de tireoide, mamas e axilas e transvaginal. E alguns exames de sangue. Allan também precisa fazer alguns exames, e no momento estamos resolvendo isso. São exames de praxe, para ter a certeza que está tudo certo comigo e que podemos iniciar a tentativa.

E você se pergunta, que título é esse, Milena? Allan me esperava dentro do carro no dia 31, quando fui fazer o primeiro ultrassom, estávamos na expectativa se haveria alguma resposta do endométrio à medicação, e quando entrei no carro para dar a notícia, ele ligou o carro e era essa música que estava cantando nesse trecho: "Felicidade... Brilha no ar...".  E o engraçado foi Allan comentar que a música que tocava naquele momento tinha tudo a ver com o clima, afinal estávamos felizes.

Mas vê, como a letra é bonita:


Não sei, parece que estamos descobrindo que o mar é azul...

É importante dizer que não estamos colocando todas as nossas expectativas nisso. É bom, é legal ver as pessoas e os parentes animados e torcendo. Mas estamos, Allan e eu, muito conscientes de que pode dar certo como também pode dar errado. E isso não é ser pessimista. Claro que queremos que dê certo. Mas saber que pode dar errado é importante para não ficarmos extremamente frustrados depois. Sem contar que ansiedade estraga tudo. Seguimos tranquilos, e com os pés no chão.

A música é meio brega, mas a letra é fofa. Geralmente músicas "caem" em determinados momentos na minha vida. Eu gosto disso. Como quando tocou uma música muito triste de Marisa Monte no dia que eu saí da clínica do outro médico e meus olhos encheram de lágrimas. Agora não lembro mais da música, e acho que não quero mais lembrar.