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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

"Persista", ela falou.

Na última vez que trouxe atualizações da vida pós CA foi em relação a última ida para um médico de fertilização em novembro de 2019. Deixei o exame anti-mulleriano (verificação de reserva ovariana) pra fazer em janeiro junto com a revisão oncológica.

Fiz o exame em janeiro e o resultado foi o esperado: 0,1. Porque não tinha como ser zero. Traduzindo: capacidade ovariana zerada. Mas isso era o esperado. Aproveito para trazer as atualizações da revisão oncológica de 2020, consegui fazer os exames e levá-los para Dra. Roberta antes da pandemia do Covid-19. Consegui até dar um beijo e abraço nela! Minha oncologista preferida! O vírus ainda não estava correndo solto pelo país, estávamos ainda em meados de fevereiro... Hoje sabemos que ele já estava no país, né? Mas em Recife ainda não havia uma potencial infecção.

A consulta para levar o exame ao médico de fertilização estava marcada para março, e como nesse tempo o Corona Vírus já estava oficialmente no país, eu desmarquei a consulta. Depois de 4 meses trancada dentro de casa, e conforme os números de casos de Covid-19 foram diminuindo em Recife e na RMR, decidi ir ao consultório, morrendo de medo, mas fui!

Levei o exame, cheia de esperanças e deu tudo errado. Saí de lá um triste, pois o médico disse que não tinha o que fazer e começou a falar que no meu caso só barriga de aluguel, perguntou se eu tinha irmã... Barriga de aluguel é um negócio meio complicado pra mim, não tenho irmã, e de mais de 40 netos da minha avó, eu sou a mais nova com 37 anos... Ou seja. Nem preciso entrar em detalhes, né...

De toda forma, não vou me estender muito... 

Fui pra casa, e como faço parte de um grupo de "tentantes" (mulheres que por algum problema não conseguem engravidar) pedi opinião das médicas que criaram o grupo e todas me disseram que mesmo com meu útero diminuído, deveria tentar a estimulação do endométrio. Que o médico anteriormente tinha dito que deveria fazer, mas depois mudou de ideia. Uma delas até perguntou quanto tinha de volume no último exame antes da menopausa precoce. Hoje meu útero tem aproximadamente 9 cm3 de volume e no último exame antes do CA tinha cerca de 30 cm3... Ou seja, ele está 3 vezes reduzido. Mas ele é um músculo e está atrofiado, por... Digamos assim, "inatividade".

No dia seguinte, marquei consulta em outra clínica. Uma que eu fui em 2015, para saber as possibilidades na época, a mesma médica disse que era possível tentar a FIV com óvulos doados, que havia passagem para implantação do embrião... Mas eu não voltei lá, pois esperei os 5 anos do CA, porque assim estaria totalmente curada para a medicina.

Nessa semana foi a consulta, e já estou tomando a medicação para estímulo do endométrio. A abordagem da médica é tentar, se não houver resposta, ainda pode aumentar a dosagem e ver o que acontece. Já marquei o primeiro ultrassom transvaginal, que deverá ser feito de forma seriada para acompanhar o possível crescimento.

Não quero e nem pretendo me encher de esperanças. Mas tentar tudo que está ao meu alcance é o mínimo que posso e quero fazer. Uma das médicas do grupo que faço parte me disse que o prazo dado pela médica de 13 dias de medicação para observar crescimento do endométrio ainda pode ser pouco, e se não houver crescimento, que eu não desista. "Persista". Ela falou.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Clínica de reprodução - A volta

Hoje foi mais um dia "daqueles". Sem almoçar, saí do trabalho, peguei meus exames de sangue e fui direto pra clínica. Fiz valer meus duzentinhos, foi quase uma hora de consulta, mas tinha mesmo muito assunto. Na saída, fui pegar os outros dois exames, raio-x e ultrassom.

O médico, como sempre muito educado, pediu desculpas pela demora pois tinha ido ver uma paciente no hospital. Comecei falando que como ele havia previsto eu tive um pequeno sangramento depois da primeira cartela da TRH (Terapia de Reposição Hormonal, o Angelic), o que era um bom sinal, lembram? Depois parti logo para minhas queixas. A primeira foi o re-surgimento da acne, e um aparente aumento de peso. O que nem é tão ruim, já que sou muito alta e magricela. 

Ele disse que realmente a TRH causa esse aumento da acne, e que podemos observar se há alguma melhora ou diminuição conforme o tempo de uso do remédio. Ou seja, terminar de usar o antibiótico da dermatologista, e voltar pra ela... E... Nada de laser este ano. Por que com tanta acne que está aparecendo não tem condições de fazer laser. Back to the fifteen again... ¬¬

Quanto ao peso, ele me disse que o remédio tem um aumento significativo no emocional, logo estou mais feliz, junto com a minha recuperação do tratamento do CA, onde perdi muito peso... É natural que eu me alimente melhor, e aumente uns quilinhos. Outra coisa que ele comentou é que o remédio também dá queda de cabelo, realmente meu cabelo tem caído muito, como no tempo da quimioterapia, mas eu estava achando que era por que tinha feito muita porcaria nele... Mas na verdade é a TRH, ele me passou um remédio (comprimidos), para melhorar a queda.

Feito isso, abri meu coração... Pedi a opinião dele sobre fazer o exame BRCA (aquele da Angelina Jolie, lembra? Que detecta o gene responsável pelo CA de mama). Ele me disse, que na verdade não é algo assim tão fácil do tipo, Oi, fiz o exame, tenho o gene e agora vou retirar as mamas... Chegar a esta conclusão leva tempo... E foi falando sobre isso que chegamos no segundo ponto da conversa... Se o que se vê por aí é a TRH recomendada por 5 anos, e eu que tenho apenas 31, faltariam pelo menos uns 20 anos para eu entrar naturalmente na menopausa, ou seja, vou passar esse tempo todo tomando a TRH? Vou ter câncer de mama? E o perigo?

O médico disse que queria saber quem foi o looooooooooouco que inventou isso de 5 anos e isso se divulga por aí como verdade absoluta. E não é bem assim... A TRH é usada para amenizar os sintomas da menopausa, os calores, a depressão... Etc e tal. O que acontece é que geralmente em 5 anos, é um prazo onde esses efeitos estão mais amenos, e então naturalmente as mulheres deixam de usar os remédios. Aí, percebi que eu não posso me guiar por estes exemplos... Por que eu não entrei na menopausa naturalmente, entrei de forma brusca, então tudo pra mim será diferente...

Em qual sentido? É preciso que eu seja acompanhada com os exames, para mama, útero e ossos, que são onde acontecem os principais problemas. Por sinal, ele já pediu todos os exames e adicionou uma densitometria óssea, até por que eu nunca fiz uma. O que ficou bem claro é que não adianta eu me prender por situações padrão, quando a minha é diferente. Ele me disse que é fundamental, dada a minha idade, a reposição hormonal. A menopausa brusca e em idade tão jovem fez a minha qualidade de vida (emocional, física e sexual) cair drasticamente e a TRH vai ser importante para trazer isso de volta.

Em dado ponto da conversa falei que não entendia por que a dosagem que está nos remédios é tão perigosa assim, se teoricamente o que está lá é o relativo ao que deveria ser produzido pelo meu corpo, como isso pode então ser tão danoso? Então ele me deu dois argumentos, que me convenceram e explicam muita coisa. Inclusive ele até citou um evento que foi recentemente, onde se discutia esse assunto. A primeira coisa é que o estudo foi realizado com mulheres com idade média de 60, 65 anos... Após a TRH, essas mulheres apresentaram problemas do miocárdio, não sei o que lá nos ossos... E aí, você para pra pensar... Ora... Naturalmente quando envelhecemos não temos mais chances de desenvolver doenças? Por que elas obrigatoriamente têm que ser co-relacionadas apenas com a TRH? E ainda assim, os estudos são feitos, por exemplo, com o estrogênio, que seria a causa e então com progesterona não causa. Só que, e as TRH que são feitas com outros hormônios? E a drospirenona? E tantos outros que o médico citou?  

De fato, a TRH é algo novo e certamente a discussão não é definitiva. O médico diz que o Angelic é um dos melhores remédios usados para reposição, com hormônios naturais. E ele ainda disse que, não é obrigatório que eu faça a TRH pelo resto da vida... Se com o tempo formos observando que, se por exemplo a atrofia vaginal melhorar, as ondas de calores sumirem e outros efeitos também... Eu poderia ficar com o uso do estriol em creme local, e começar a diminuir a dosagem dos comprimidos... Ver o que acontece... Fazer uso de terapias alternativas, que por exemplo, existem remédios para o sistema nervoso que atuam nas ondas de calor, etc. E sempre, SEMPRE manter o acompanhamento dos exames, de mama, útero e ossos. O estilo de vida, também conta muito, uma boa alimentação, praticar exercícios físicos... Ou seja, não posso "deixar a peteca cair", se eu quiser uma vida mais próxima do normal para minha idade...

É meio frustrante, ter que entender tanta coisa. Mas hoje, depois dessa consulta eu estou mais resiliente com o uso da TRH, com a possibilidade do CA de mama... Com a melhora da minha qualidade de vida. Infelizmente, não é algo simples, nem fácil. É o que pode ser feito. E vai levar tempo.

O post foi gigantesco, mas para quem chegou aqui em busca de informações sobre a TRH para mulheres jovens, acho que vale muito a pena o que se discutiu, se você está na mesma situação, entre em contato comigo.
Beijos!