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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

"Persista", ela falou.

Na última vez que trouxe atualizações da vida pós CA foi em relação a última ida para um médico de fertilização em novembro de 2019. Deixei o exame anti-mulleriano (verificação de reserva ovariana) pra fazer em janeiro junto com a revisão oncológica.

Fiz o exame em janeiro e o resultado foi o esperado: 0,1. Porque não tinha como ser zero. Traduzindo: capacidade ovariana zerada. Mas isso era o esperado. Aproveito para trazer as atualizações da revisão oncológica de 2020, consegui fazer os exames e levá-los para Dra. Roberta antes da pandemia do Covid-19. Consegui até dar um beijo e abraço nela! Minha oncologista preferida! O vírus ainda não estava correndo solto pelo país, estávamos ainda em meados de fevereiro... Hoje sabemos que ele já estava no país, né? Mas em Recife ainda não havia uma potencial infecção.

A consulta para levar o exame ao médico de fertilização estava marcada para março, e como nesse tempo o Corona Vírus já estava oficialmente no país, eu desmarquei a consulta. Depois de 4 meses trancada dentro de casa, e conforme os números de casos de Covid-19 foram diminuindo em Recife e na RMR, decidi ir ao consultório, morrendo de medo, mas fui!

Levei o exame, cheia de esperanças e deu tudo errado. Saí de lá um triste, pois o médico disse que não tinha o que fazer e começou a falar que no meu caso só barriga de aluguel, perguntou se eu tinha irmã... Barriga de aluguel é um negócio meio complicado pra mim, não tenho irmã, e de mais de 40 netos da minha avó, eu sou a mais nova com 37 anos... Ou seja. Nem preciso entrar em detalhes, né...

De toda forma, não vou me estender muito... 

Fui pra casa, e como faço parte de um grupo de "tentantes" (mulheres que por algum problema não conseguem engravidar) pedi opinião das médicas que criaram o grupo e todas me disseram que mesmo com meu útero diminuído, deveria tentar a estimulação do endométrio. Que o médico anteriormente tinha dito que deveria fazer, mas depois mudou de ideia. Uma delas até perguntou quanto tinha de volume no último exame antes da menopausa precoce. Hoje meu útero tem aproximadamente 9 cm3 de volume e no último exame antes do CA tinha cerca de 30 cm3... Ou seja, ele está 3 vezes reduzido. Mas ele é um músculo e está atrofiado, por... Digamos assim, "inatividade".

No dia seguinte, marquei consulta em outra clínica. Uma que eu fui em 2015, para saber as possibilidades na época, a mesma médica disse que era possível tentar a FIV com óvulos doados, que havia passagem para implantação do embrião... Mas eu não voltei lá, pois esperei os 5 anos do CA, porque assim estaria totalmente curada para a medicina.

Nessa semana foi a consulta, e já estou tomando a medicação para estímulo do endométrio. A abordagem da médica é tentar, se não houver resposta, ainda pode aumentar a dosagem e ver o que acontece. Já marquei o primeiro ultrassom transvaginal, que deverá ser feito de forma seriada para acompanhar o possível crescimento.

Não quero e nem pretendo me encher de esperanças. Mas tentar tudo que está ao meu alcance é o mínimo que posso e quero fazer. Uma das médicas do grupo que faço parte me disse que o prazo dado pela médica de 13 dias de medicação para observar crescimento do endométrio ainda pode ser pouco, e se não houver crescimento, que eu não desista. "Persista". Ela falou.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Só diversão #sqn

Faz pouco tempo que fui em uma nova ginecologista... Essa foi a quarta tentativa. E deu certo! Vocês precisam conhecer a médica Mônica Diniz, também da Clínica Continence que é especializada nas questões do assoalho pélvico, aqui em Recife. Gostei demais dela, foi bem curta e pragmática. Me disse que não vai se meter na reposição hormonal, já que o especialista em fertilização e minha oncologista liberaram. Apesar dos "contra", ela também concorda que o coração e os ossos precisam ser preservados, porque ainda sou muito jovem.

Fui examinada, e ela foi bastante positiva. Disse que para quem sofreu radioterapia pélvica a região está bem. Além de manter os hormônios e o lubrificante, é apenas uma questão muscular. Os músculos estão "entrevados" e precisa de exercício para voltar ao funcionamento normal. Já foi me indicando a especialista em fertilização Altina, e conhece meu cirurgião José Figueiroa Filho e Agostinho Machado (fertilização). Estou com Altina marcada, postarei aqui assim que conversar com ela.

A gineco me pediu trocentos mil exames! Inclusive mamografia. Gostei muito dela, bastante pro-ativa! Faz o meu tipo! Sem arrudeios! É pá pum! 

Odiei a mamografia... Troço chato e muito dolorido, ser mulher é um saco, falando sério! 
=(
A moça que faz o exame conversou um monte comigo... Dando conselhos, orientando, perguntando sobre o meu caso e tal... Disse que eu pedisse ao médico pra fazer antes e depois de engravidar por FIV... Pra ficar atenta... Enfim, ela deve ver muitos casos lá naquela salinha... E sabendo que faço reposição hormonal... Ficam todos preocupados. Mais uma vez o endovaginal foi extremamento doloroso, na parte que a médica tenta visualizar os ovários, mexem tanto lá dentro que sinto o útero doer dentro da pelve, o negócio é fechar os olhos e imaginar um grito silencioso... 
=(


E ainda acham que estou de "doce" quando digo que não tenho tempo...

A vida segue... Ainda tenho mil exames pra fazer, muitos que eu nunca ouvi falar, pra levar de volta à nova gineco! Pra ela poder liberar fisioterapia uroginecológica pra mim. Além disso, ela passou vários remédios, um creme interno, um externo e um remédio usado para fibromialgia, mas em uma dosagem menor, indicado para as dores da região. Os exercício que ela passou e os dilatadores forçam e eu sinto muita dor, ela também acha que não há melhora pois eu não aguento a dor que sinto, então passou um remédio para aliviar até que se consiga sucesso sobre a estenose vaginal.

Além desses, tenho vários exames de oftalmologia pra fazer por conta de já precisar de grau para perto tão nova, também estou com algo na retina que está no limite do normal, e por ter glaucoma na família... Mas, não sei quando vai ser porque 24 horas é pouco. No mais, continua tudo nos conformes. 

Até logo mais!


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Quando a dor se torna dia-a-dia

Sala da recepção
Aí você tem que preencher um papel com várias perguntas, uma delas: 
[Já fez alguma cirurgia? SIM Quais:__________ ]

O espaço que tinha, mal dava pra escrever "reto" como eu colocaria "retossigmoidectomia vídeo-laparoscópica"? Sem contar nas tantas outras cirurgias que já fiz...

-Moço...
-Coloque: "várias"
-OK...

Continuando...
Já fez Densitometria óssea alguma vez: NÃO
Está na menopausa: SIM
Perdeu útero ou ovários: SIM, ovários
Histórico de osteoporose na família: NÃO
Já teve fraturas: SIM
Possui artrite reumatóide: Não... Só uma protusão discalzinha de nada em dois discos da lombar...
etc...
etc...
{Quantos anos eu tenho? 65?}

Sala de exames
Técnica de radiologia simpática, em perguntas frenéticas:

-Por que você está fazendo esse exame? 
-Porque tive um tumor no reto e com a radioterapia perdi os ovários.
-Pensei que você tivesse tido algum problema ginecológico. Onde eram os pontos de radiação? E não tem jeito de voltar?
-Não tem, porque eles diminuiriam e quase não existem mais, não tem mais óvulos... 
-Pronto, deita que vou ligar a máquina.
-Ok
-Milena, e faz quanto tempo? 
- 2 anos do diagnóstico.
-Tu és casada?
-Sou não.
-E agora pra ter filhos?
-Tenho um namorado há 5 anos, já temos pensado nisso. Agora, eu vou tentar a fertilização in vitru, com óvulos doados... É o único jeito.
-E como vai funcionar, sem você produzir os hormônios...?
-Aí o vou ter que tomar por remédios... É o único jeito, aparentemente meu útero está bem. Tem que tentar... Eu já estou fazendo a reposição hormonal. O médico passou.
-Quem é teu médico?
-Dr. Agostinho Machado, ele é especialista em fertilização. Mesmo a dúvida sobre reposição e câncer de mama, discutimos, pesquisei muito e decidimos fazer... 
-É e teu câncer não tem nada a ver com esses hormônios que o corpo não produz mais.
-Pois é, mas minha mãe teve câncer de mama...
-Tua mãe teve câncer de mama? Poxa, e aí?
-Mesmo assim ele disse que as chances que eu tenho é a mesma de qualquer outra mulher, temos que ficar de olho a qualquer sinal. Os estudos são recentes, e não há nada sobre a reposição para mulheres na minha idade... É complicado...
-É mesmo... Eita e você tem que correr por que ainda tem a questão da idade, né?
-Não exatamente por que óvulos eu não tenho mais, e são eles que envelhecem com a idade, né... Na verdade preciso me preocupar com a saúde pra manter uma gravidez... 
-É, é verdade... Milena. Quando é a consulta da sua oncologista?
-É quarta que vem. 
-Pronto, seu exame fica pronto nesta sexta, viu? 
-Tá certo.
-Pode trocar a roupa e boa sorte, viu? Até logo.
-Até!



quarta-feira, 2 de julho de 2014

Clínica de reprodução - A volta

Hoje foi mais um dia "daqueles". Sem almoçar, saí do trabalho, peguei meus exames de sangue e fui direto pra clínica. Fiz valer meus duzentinhos, foi quase uma hora de consulta, mas tinha mesmo muito assunto. Na saída, fui pegar os outros dois exames, raio-x e ultrassom.

O médico, como sempre muito educado, pediu desculpas pela demora pois tinha ido ver uma paciente no hospital. Comecei falando que como ele havia previsto eu tive um pequeno sangramento depois da primeira cartela da TRH (Terapia de Reposição Hormonal, o Angelic), o que era um bom sinal, lembram? Depois parti logo para minhas queixas. A primeira foi o re-surgimento da acne, e um aparente aumento de peso. O que nem é tão ruim, já que sou muito alta e magricela. 

Ele disse que realmente a TRH causa esse aumento da acne, e que podemos observar se há alguma melhora ou diminuição conforme o tempo de uso do remédio. Ou seja, terminar de usar o antibiótico da dermatologista, e voltar pra ela... E... Nada de laser este ano. Por que com tanta acne que está aparecendo não tem condições de fazer laser. Back to the fifteen again... ¬¬

Quanto ao peso, ele me disse que o remédio tem um aumento significativo no emocional, logo estou mais feliz, junto com a minha recuperação do tratamento do CA, onde perdi muito peso... É natural que eu me alimente melhor, e aumente uns quilinhos. Outra coisa que ele comentou é que o remédio também dá queda de cabelo, realmente meu cabelo tem caído muito, como no tempo da quimioterapia, mas eu estava achando que era por que tinha feito muita porcaria nele... Mas na verdade é a TRH, ele me passou um remédio (comprimidos), para melhorar a queda.

Feito isso, abri meu coração... Pedi a opinião dele sobre fazer o exame BRCA (aquele da Angelina Jolie, lembra? Que detecta o gene responsável pelo CA de mama). Ele me disse, que na verdade não é algo assim tão fácil do tipo, Oi, fiz o exame, tenho o gene e agora vou retirar as mamas... Chegar a esta conclusão leva tempo... E foi falando sobre isso que chegamos no segundo ponto da conversa... Se o que se vê por aí é a TRH recomendada por 5 anos, e eu que tenho apenas 31, faltariam pelo menos uns 20 anos para eu entrar naturalmente na menopausa, ou seja, vou passar esse tempo todo tomando a TRH? Vou ter câncer de mama? E o perigo?

O médico disse que queria saber quem foi o looooooooooouco que inventou isso de 5 anos e isso se divulga por aí como verdade absoluta. E não é bem assim... A TRH é usada para amenizar os sintomas da menopausa, os calores, a depressão... Etc e tal. O que acontece é que geralmente em 5 anos, é um prazo onde esses efeitos estão mais amenos, e então naturalmente as mulheres deixam de usar os remédios. Aí, percebi que eu não posso me guiar por estes exemplos... Por que eu não entrei na menopausa naturalmente, entrei de forma brusca, então tudo pra mim será diferente...

Em qual sentido? É preciso que eu seja acompanhada com os exames, para mama, útero e ossos, que são onde acontecem os principais problemas. Por sinal, ele já pediu todos os exames e adicionou uma densitometria óssea, até por que eu nunca fiz uma. O que ficou bem claro é que não adianta eu me prender por situações padrão, quando a minha é diferente. Ele me disse que é fundamental, dada a minha idade, a reposição hormonal. A menopausa brusca e em idade tão jovem fez a minha qualidade de vida (emocional, física e sexual) cair drasticamente e a TRH vai ser importante para trazer isso de volta.

Em dado ponto da conversa falei que não entendia por que a dosagem que está nos remédios é tão perigosa assim, se teoricamente o que está lá é o relativo ao que deveria ser produzido pelo meu corpo, como isso pode então ser tão danoso? Então ele me deu dois argumentos, que me convenceram e explicam muita coisa. Inclusive ele até citou um evento que foi recentemente, onde se discutia esse assunto. A primeira coisa é que o estudo foi realizado com mulheres com idade média de 60, 65 anos... Após a TRH, essas mulheres apresentaram problemas do miocárdio, não sei o que lá nos ossos... E aí, você para pra pensar... Ora... Naturalmente quando envelhecemos não temos mais chances de desenvolver doenças? Por que elas obrigatoriamente têm que ser co-relacionadas apenas com a TRH? E ainda assim, os estudos são feitos, por exemplo, com o estrogênio, que seria a causa e então com progesterona não causa. Só que, e as TRH que são feitas com outros hormônios? E a drospirenona? E tantos outros que o médico citou?  

De fato, a TRH é algo novo e certamente a discussão não é definitiva. O médico diz que o Angelic é um dos melhores remédios usados para reposição, com hormônios naturais. E ele ainda disse que, não é obrigatório que eu faça a TRH pelo resto da vida... Se com o tempo formos observando que, se por exemplo a atrofia vaginal melhorar, as ondas de calores sumirem e outros efeitos também... Eu poderia ficar com o uso do estriol em creme local, e começar a diminuir a dosagem dos comprimidos... Ver o que acontece... Fazer uso de terapias alternativas, que por exemplo, existem remédios para o sistema nervoso que atuam nas ondas de calor, etc. E sempre, SEMPRE manter o acompanhamento dos exames, de mama, útero e ossos. O estilo de vida, também conta muito, uma boa alimentação, praticar exercícios físicos... Ou seja, não posso "deixar a peteca cair", se eu quiser uma vida mais próxima do normal para minha idade...

É meio frustrante, ter que entender tanta coisa. Mas hoje, depois dessa consulta eu estou mais resiliente com o uso da TRH, com a possibilidade do CA de mama... Com a melhora da minha qualidade de vida. Infelizmente, não é algo simples, nem fácil. É o que pode ser feito. E vai levar tempo.

O post foi gigantesco, mas para quem chegou aqui em busca de informações sobre a TRH para mulheres jovens, acho que vale muito a pena o que se discutiu, se você está na mesma situação, entre em contato comigo.
Beijos!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A vida é feita de escolhas

Eu estou muito feliz com o tratamento da terapia hormonal, inclusive já comecei. Mas, não tem como esquecer a discussão em torno desse assunto, principalmente em se tratando do meu caso. A terapia é vista por muitos médicos e muitas pessoas como algo perigoso. Tenho pesquisado muito esses dias, e na academia ainda não é um fato que faz mal, muito menos que só faz bem. Para cada caso é preciso fazer uma grande análise do que está em jogo. O que vale a pena?

Outro dia fiz a seguinte análise: Se meu corpo produzia esses dois hormônios, estrógeno e progesterona e deixou de produzi-los, por que ao repô-los eu teria câncer? A lógica seria que eu teria câncer de todo jeito, se meus ovários estivessem funcionando. Aí vem a questão, a quantidade no comprimido é a idêntica a que meu corpo produziria? Por que os testes e as pesquisas são feitas dando uma dosagem duas ou quatro vezes maior do que é dado na terapia? Por que não fazem testes, com as dosagens reais dos comprimidos vendidos e usados pelas mulheres na menopausa? São muitas perguntas... 

O percentual de mulheres que tiveram câncer de mama durante a reposição hormonal ficou em torno de 1%, 0,04 %, acho que não chegou a passar de 1,3%, outras pesquisas dizem que a incidência cai em 18% para as mulheres que deixaram de fazer a reposição. Outras dizem que a reposição feita apenas com estrogênio é menos propícia a desenvolver o câncer de mama. E aí com uma rápida conversa com minha cunhada, que é médica, ela me fala da ligação do câncer de mama com o estrogênio, e não com a progesterona. Por outro lado, também temos as pesquisas realizadas com mulheres que sofrem da menopausa precoce. Mulheres que entram na menopausa antes dos 46 anos correm um risco dobrado de desenvolverem doenças cardiovasculares. Temos que 6% das mulheres com menopausa precoce apresentaram problema cardíaco depois dos 55 anos contra 2,6% com menopausa posterior a essa idade que apresentaram os mesmos problemas. 

"A mulher com um risco elevado de desenvolver cancro da mama não deverá tomar estrogénios. No entanto, para as mulheres propensas à osteoporose e a doenças do coração e para aquelas com pouco risco de desenvolver cancro da mama, o benefício obtido graças à terapia com estrogénios compensa amplamente os riscos possíveis."Biblioteca Médica OnLine 

E quando você tem risco elevado de desenvolver ca de mama e doenças do coração? #comofas?

Eu nem estou considerando aí a questão da qualidade de vida. Que uma mulher aos 30 anos, não consiga ter relação sexual, além dos calores, insônias, depressão e etc, problemas que afetam a saúde psicológica, e não apenas a saúde do corpo. Alguns médicos que condenam a terapia hormonal dizem que existem outras maneiras de combater os problemas cardiovasculares e a osteoporose. Aí a gente volta pro meu caso: 30 anos, histórico de câncer de mama da mãe, histórico de problemas cardíacos da mãe, avó, tia e tios, toda família materna. E não é assim "qualquer problema", minha tia mais velha já faleceu, minha mãe começou com arritmia e após o ca de mama ganhou uma insuficiência cardíaca, e hoje é transplantada. Minha vó, já perdi a conta de todas as cirurgias que já fez, aquelas pontas safenas, marcapassos etc. Hoje, tem um aneurisma abdominal. 

Vou colocar tudo na balança. As porcentagens do ca de mama vindo da terapia hormonal estão em cerca de 1%. Aí eu penso, mas é pouco, que azar eim? Sabe qual a chance de eu ter tido um câncer colorretal na minha idade? ... Nem vou te contar. Pergunta a qualquer médico proctologista ou a minha oncologista que nunca tratou de um CA colorretal em alguém da minha idade. Sim, definitivamente eu fui "premiada". E aí quando eu falo, as pessoas me chamam de pessimista. Não! Eu estou tentando sobreviver da melhor maneira possível, pois as coisas não são fáceis mesmo... Não é o trabalho, o estudo, é a vida. É estar vivo ou não. Ter doenças ou não. Correr riscos ou não.

Eu escolho arriscar a terapia. Não sei o que vai acontecer nos próximos 5 anos. Por que todo médico só recomenda a terapia por 2 anos. Mas eu com 30, começar e parar com 32. Fiz o que? Com 32 estou teoricamente na "flor da idade". Estou consciente de que eu escolho correr o risco de ter um novo câncer de mama, em detrimento de ter uma doença cardíaca ou óssea. Quando eu coloco na balança, o câncer de mama pesa menos, o problema é que ele pode ser fatal. E, eu sempre penso que... Desde que minha mãe teve, um ca de mama para mim não seria novidade. O que devo fazer? Cobrar dos médicos uma vigilância maior. Fazer o exame genético? Retirar as mamas?

Eu preciso de terapia hormonal por pelo menos uns 15 anos... Mas, se eu não a fizer... Vou ficar doente de tristeza e depressão, por que todas essas doenças vão bater na minha porta, não vai ser só mais uma bomba relógio de câncer, vai ser mais uma de coração, mais uma de ossos... etc. Ou eu deixo de trabalhar e gasto minhas 24 horas diárias só praticando exercícios e comprando comidas orgânicas, tudo isso custa bem caro. Como manter uma saúde impecável? E o pior, depois de todas essas divagações eu posso amanhã morrer de alguma coisa nada a ver com tudo isso. A vida é muito bizarra. Talvez eu não consiga ver algo que vocês vêem. Mas já pararam pra pensar que eu consigo ver algumas coisas que vocês não vêem? Como por exemplo o histórico de doenças cardíacas da minha família? Eu vejo isso desde pequena. Eu lembro quando eu chorava copiosamente em uma das primeiras cirurgias da minha avó, eu devia ter uns 8 anos...

Eu vejo a terapia hormonal como um caminho pra ter uma vida normal, onde eu deixe de pensar nessas coisas. Ter tempo livre para poder fazer as coisas que todo mundo faz como estudar, trabalhar, me divertir. Ter perspectivas. Com uma mamografia a cada 6 meses, e o CEA a cada 3, ou 6 meses. Casar, ter filhos, viver o mais próximo do normal possível. E se mais um câncer vier... Fazer aquela pausa novamente. Não me assustar. Foi a minha loteria. E embora os acontecimentos da minha vida ficam sempre fora das estatísticas, elas mostram que morrem no Brasil 360 mil pessoas por ano de doenças cardíacas, contra 11 mil que morrem de câncer de mama. 

Para quem quiser ler:


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Por favor, não me condenem

Mais um dia hilário. Hilário por que quase perdi meu exame no Shopping... E triste. Saí cedinho em jejum pra fazer os dois ultrassons, abdome total e o pélvico. 

Eu não vou dizer que "nunca senti tanta dor na minha vida como senti hoje ao fazer o exame", por que todo mundo que conhece um pouco da minha história sabe que eu já senti dores muito maiores e piores durante a quimio e principalmente a radio... Mas enquanto todos dizem que tudo vai passar, melhorar e milagrosamente voltar ao normal. Só piora. 

A médica colocou litros de gel... Mas não adiantou, foi muita dor. E enquanto ela mexia lá dentro, se eu nunca saberei como é ser mãe e ter alguém ou algo dentro do útero eu soube hoje da pior maneira possível... Conseguia sentir o negócio tocando nas paredes do meu útero e doeu muito. Minha vontade era "gritar" na mesa... Mas fechei os olhos e aguentei. Queria poder exemplificar essa dor, mas sinceramente não consigo um bom exemplo.

Resultado:

Ovário Direito: 1,2 x 0,7 x 1,0 cm (vol.= 0,4 cm3)
Ovário Esquerdo: 1,9 x 1,5 x 1,0 cm (vol.= 1,5 cm3)

Endométrio: 0,5 cm

Útero: 4,1 x 2,7 x 2,1 cm (vol.= 12 cm3)

Comparem e tirem suas conclusões:

2010 -> Ovário direito: 2,9 x 2,0 x 2,0 cm (vol. = 6,2 cm3)
2013 -> Ovário direito: 2,4 x 1,4 x 1,2 cm (vol. = 2,3 cm3)

2010 -> Ovário esquerdo: 2,7 x 2,0 x 1,6 cm (vol. = 4,9 cm3)
2013 -> Ovário esquerdo: 2,0 x 1,5 x 1,2 cm (vol. = 1,9 cm3)

2010 -> Útero: 6,6 x 4,2 x 3,5 cm (vol. = 52,4 cm3)
2013 -> Útero: 5,0 x 4,0 x 2,8 cm (vol. = 30,9 cm3)

O ovário direito que era o maior diminuiu... Deus tá trabalhando... Em me tornar mais estéril. E em dificultar qualquer tentativa de melhor qualidade de vida ou realização de um sonho. Entendam que isso é o efeito da radio que continua no meu corpo, e a tendência são os ovários sumirem. Por favor não me julguem e tentem se colocar no meu lugar. Eu realmente estou apostando no tratamento ginecológico, pra melhorar a questão muscular... Se nem isso der certo... Não sei. Não sei mesmo. Acho que não aguento tanta frustração.

Pontos positivos do dia: Ultrassom de abdome total limpo e agora sei o tamanho dos meus rins. Um Cheddar e batatas fritas. Estar viva. Até a próxima. Essa semana tem ainda ressonância da lombar.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Uma consulta legal, mas não tão legal assim

Oi!
Cá estou novamente... Um mês fora, pois estava aproveitando as férias, e essas foram de verdade, inclusive foi um mês sem médicos, consultas ou exames... O paraíso! Hehehehe. Mas, voltando à realidade... A primeira semana já começou com uma consulta, e até o fim do ano a agenda continua cheia! Teremos ainda, não necessariamente nesta mesma ordem, revisão da onco, revisão da radio, limpeza de cateter, fisioterapia da coluna, ressonância da coluna, ultra sons da região pélvica, exames de sangue e urina, colonoscopia, ortopedista, proctologista e ginecologista. E este ano quero ainda ter uma "conversinha" com o médico especialista em reprodução! Ufa! Esses foram o que eu lembrei!

Hoje voltei lá na clínica especializada em problemas do assoalho pélvico. Fiquei de levar um resumão dos meus exames que exemplificam a situação para Dra. Eveline definir o que fazer comigo, já que o meu caso é um tanto quanto fora do comum, uma menopausa e atrofia vaginal precoce, diferente do que acontece com as mulheres em geral. Dra. Eveline é o tipo de médica que sabe dar notícias ruins sem te fazer ficar se sentindo mal, não sei o que é, ela tem um rosto, uma fala, um jeito muito amáveis e agradáveis, eu realmente gosto muito dela.

Ela já foi me dizendo que conversou com a outra médica e juntas concluíram que a fisioterapia não vai ser possível no meu caso. E também não fará uso de hormônio nem mesmo local (a pomada com estrogênio). Nossa... Fiquei super triste, mas... Paciência. Ela me disse que ainda está muito recente do tratamento, e tem dois poréns. Um é o fato da região estar muito sensível e fazer a fisio aumentaria o risco de desenvolver alguma infecção. E o segundo fato é que ainda estou no período de "controle" de risco da doença voltar... Óbvio, não é o que ninguém quer ou espera, mas elas precisam contar com esse fato, que se começasse o uso do estrogênio e de repente o câncer voltasse... Enfim, não é o ideal no momento.

Poxa, fiquei super triste, e com vontade de chorar, mas me controlei né... Mas aí ela foi e enfatizou que o importante é que eu preciso sair do tempo de risco, ela deu pelo menos uns 2 anos. Então ela falou do tratamento alternativo... Que são dois medicamentos, o primeiro é o Vagidrat, segundo ela, cria uma película no canal vaginal, e hidrata sem ser à base de hormônios. Apesar de não ser indicado para uso diário, ela pediu pra usar diariamente... E que isso vai proteger e hidratar. Mas primeiro faremos o teste por um mês, e dependendo do resultado ela vai para o próximo medicamento, que ela comentou e eu realmente não lembro qual é. Dependendo do resultado ela vai para o próximo.

Ela disse que a fisio no meu caso não ajuda e aí tem que esperar mesmo, pois a musculatura tende a relaxar com o tempo. Ela disse que o corpo ainda sofre os efeitos da radio, e a tendência é isso melhorar. Vai ser doloroso? Vai. Vai ser difícil. Muito. No caso o ideal seria o hormônio, mas infelizmente não vai ser possível agora. Ela é uma profissional que tem muito tato... Por isso gosto dela, já foi dizendo que vou precisar de muito apoio da pessoa ao meu lado, e que acredita que eu tenho isso pois, já estamos juntos a muito tempo e ele esteve ao meu lado em momentos muito mais difíceis que este, que foi o da doença. Então, nossa vida de casados vai ser difícil, mas nisso eu tenho certeza e não me preocupo pois sei que tenho a pessoa certa ao meu lado.

Cheguei a comentar com ela dos diversos casos que encontrei de algumas mulheres até mais novas que eu que tiveram o mesmo tipo de CA, ou parecido, e passaram por radioterapia pélvica. Contei que lá nos EUA a primeira coisa que perguntam quando vai iniciar o tratamento é o que você quer fazer para preservar a fertilidade... Uma fez o congelamento, outra suspendeu os ovários... Dra. Eveline comentou que infelizmente estamos um pouco atrasados em relação aos EUA, não temos a mesma bagagem e nem o mesmo desenvolvimento que eles têm, aqui corremos logo para tratar a doença, que ainda é vista como algo fatal. Mas a verdade é que a cada dia o tratamento vem sendo cada vez mais efetivo. Precisamos mudar o pensamento... Ao mesmo tempo ela já foi me dizendo que eu não posso ficar pensando nessas coisas, que preciso me concentrar que o principal era a vida, que os médicos, meus familiares e até eu mesma na hora do diagnóstico, não pensamos nas consequências. A vida veio primeiro, e é o mais importante.

Não deixa de ser muito triste, e eu realmente sempre choro quando toco ou penso nesse assunto. Então é melhor deixar de lado e realmente fazer o que posso, que está ao meu alcance. Por isso a consulta foi legal, mas não tão legal assim... Passei o resto do dia um pouco triste por lembrar tudo isso de novo, e ver mais uma vez minhas esperanças irem por água abaixo, eu realmente botava fé nesse tratamento. Mas, não sou eu quem define o que é melhor pra mim, né?



"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir por não perceber sua simplicidade." 
Mario Quintana

Vim pensando no ônibus sobre a quantidade de coisas que eu desejei como sonho, como significado de felicidade pra mim, e concluí que o câncer e algumas outras doenças têm a capacidade de te fazer perceber felicidade em tudo aquilo que é extremamente corriqueiro para a maioria das pessoas... A cada dia que passa, meu ideal de felicidade e alegria fica mais distante. Ter um filho, engravidar, por exemplo, deixou de ser sinônimo de felicidade e alegria, agora passa a ser tristeza, descrença e insistência.

Eu achava que meu ideal era algo simples de alcançar, uma vida simples, um bom trabalho, uma casa, um amor, uma família... Hoje, por exemplo, depois da consulta, vim no ônibus pensando em mais uma decepção, lembrei dos dias de quimio, do dia do diagnóstico, e vi que a felicidade que a vida dá pra mim é apenas poder beber um copo de água gelada. Comer comida chinesa e não vomitar. Ter forças pra levantar da cama. Tomar um banho de cabeça e não desmaiar. Andar de ônibus e sentir o vento no rosto pela janela. Pesar 49 kg, o cabelo caindo, olheiras fundas e boca cinza e alguém te amar mesmo assim. E por aí vai... Coisas assim. Nada mais.


Aproveitando uma boa paisagem.


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Revisão - 6 meses sem Quimioterapia

Se passaram 6 meses da última quimio, mas parece que foi um montão de tempo... Não sei o que é isso, mas a sensação vivida lá é tão ruim que deixei ela lá bem longe, e parece que faz muito tempo... Como prometido fui para Dra Roberta, o raio-x estava ok, CEA, tudinho... Ela também ficou triste e curiosa com os resultados hormonais estradiol e FSH, e disse, que a culpa é da radioterapia... Mas mesmo assim havia completado apenas 1 ano do fim da radio...

Ela pediu novos exames de sangue, estadiol, FSH, CEA, etc.. E acrescentou o exame de urina. Inclusive, os outros dois que ela havia pedido que também estavam ok, foram o de Creatinina, que é pra ver a função renal, e Fosfatase Alcalina, que tem a ver com o fígado. Além disso ela pediu ultra-som pélvica. E como em outubro farei uma Colonoscopia, ela quer que eu a leve também... Estou entrando de férias agora em setembro, viajarei, e só voltarei em outubro, com agenda cheia! Exames de sangue, ultra-som, colonoscopia, consultas com procto, fisio-gineco, reprodução assistida, tudo isso já em outubro e radio em novembro, e dra roberta novamente em dezembro, lembrando de ir limpar o cateter em novembro! UFA! É! Se não anotar tudo, esquece.

Contei para Dra Roberta minhas pretensões de fazer a fisioterapia uro-ginecologica na clínica que achei, ela até anotou lá, comentei da questão da reposição hormonal, que a gineco falou que ajuda, mas que só isso não adianta, pois houve uma lesão muscular vaginal... E também contei que já estou de olho no médico de reprodução assistida, do banco de óvulos, enfim! Ela me disse que acha que vale a pena fazer a reposição hormonal, mesmo com o histórico de CA de mama da minha mãe. Agora, com o aval de Dra Roberta, me sinto mais tranquila, e vou "com a cara e a coragem" fazer isso... E como eu disse a ela, se for o caso, qualquer risco de nódulo maligno eu faço igual a Angelina Jolie, mastectomia radical! Coloco silicone e fico logo turbinada! Ela riu... 

Por fim, ela me examinou, coração, pulmão, pressão.. E peso... 50 kilos... Anyways... Já desisti dessa parte! Assumi meus 50kg! Ela ri. No final, ela disse pra continuar com os cuidados, alimentação, fazer os exames, etc.. E "vamos ver se esses ovários acordam"... Eu disse: "Dra. Roberta, se não acordarem, a gente acorda eles com medicação! Né possivel!" 

Mesmo que seja caro, esse é o plano agora... Vamos ver se pelo menos uma única gravidez eu consigo ter... Que a medicina me ajude!
Até a próxima!

Ah! Duas coisas que ia esquecendo... Uma foi que a enfermeira na hora de limpar meu cateter elogiou meu fluxo sanguíneo! Uia! E outra é que Dra. Roberta, acha que eu sou jovem demais pra ter tido uma sequela definitiva com a radio... Já eu, não me acho tão jovem assim... Afinal, 30 anos, e aos 35 já começa a queda da qualidade dos óvulos... Ela também acha estranho eu não ter tantas ondas de calor, que eu só tive isso de fato, no fim da radio, tive ondas de calor noturnas e mal-estar do tipo menopausa, e agora não tenho mais... Agora sim, até a próxima!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Ignorância é uma dádiva...

Triste, completamente triste... Fico pensando no que todas as pessoas que me dizem que Deus isso, que Deus aquilo vão me dizer, quando chegar o fim dos meus dias e nada do que elas dizem que Deus vai fazer na minha vida acontecer... Vai ser o de sempre: "Mas foi a vontade de Deus, e Ele quis assim." Mas ué? Antes, Ele não iria fazer um milagre? Mas o que aconteceu...? Não é mais vontade dele? Ele desistiu...

Faz tempo que eu não venho aqui... Foi muita coisa acontecendo, após 1 mês de internação da minha mãe no hospital, ela fez um transplante e foi mais 1 mês internada. Sim, ela está bem e vai assim prosseguir, com o curso da vida... Se houvesse uma definição de felicidade em relação a isso, seria eu. Quanto a mim, já não posso dizer o mesmo. Embora, esteja livre do CA. Já estou com os exames da próxima revisão em mãos. Raio-X do tórax, ok. Sem metástases. O marcador tumoral o CEA, também está ok, até diminuiu, o anterior foi 1.5,  e agora deu 0.3 ng/ml.

O mesmo não posso dizer sobre os exames hormonais, aqueles que me permitiriam seguir o curso normal da vida, e não virar uma idosa de 80 anos. É passei de 60 pra 80, pelo resultado do exame, na verdade, acho que já morri. O estradiol, hormônio produzido pelos ovários continua no mesmo valor, 5.0, valor de pós-menopausa. O FSH, aumentou, foi de 138, para 154, sendo a pós-menopausa de 31 a 134. Eu até acho que poderei ter um filho... Com muito esforço, e muito dinheiro diga-se de passagem, por que o tratamento que terei que fazer custa muito caro, muito caro mesmo, principalmente se eu recorrer a um banco de óvulos... E com muito esforço e mais dinheiro ainda, à base de remédios, conseguirei ter alguma vida sexual.

Pra qualquer um, isso pode, sei lá, não significar nada, ou ser apenas alguns obstáculos (os que já existem, e já passaram, não são suficientes, óbvio...). Mas, nada tem me deixado tão triste, quanto esta situação. Me penalizo por pensar muitas vezes, por que eu não morri. A vida tem sempre que ser tão dolorida, assim? Sim, eu sei que se eu sofro, é por que eu escolhi sofrer, e a gente pode escolher sempre não fazer com que essas coisas sejam tão dolorosas assim... Mas eu preciso dizer que é.

Minha vontade neste momento, era não entender de nada, ser mais uma leiga, e pensar que esses exames não dizem nada. Que eu vou ter filhos, que eu vou casar e ser feliz. Saber demais, ler, pesquisar é mesmo um veneno. E meu maior defeito.

Meu cabelo está horrível, minha pele está horrível... Reflexos da ausência do estradiol.... Pra entender um pouco do que a ausência desse hormônio causa na minha vida aos 30 anos, além da "beleza dos meus cabelos ou pele", acaba com o fluxo de sangue arterial dos vasos sanguíneos, acelerada perda de massa óssea, ou seja osteoporose e osteopenia precoces, afeta a produção de diversas proteínas no fígado e proteínas responsáveis pela coagulação do sangue, desproteção de funções cerebrais como a memória, saúde mental humor e bem-estar,  além, é óbvio, das desordens de natureza reprodutiva e sexual. Meus hormônios querem que meu corpo de 30 anos repouse e envelheça como se ele já tivesse cumprido o que veio ao mundo pra fazer. E meu corpo de 30 anos tenta dizer que ele ainda tem mais 30 pra viver e não quer repousar, assim ele fatiga, e luta contra si mesmo...

Acho que a parte da saúde mental tá completamente afetada, por que não consigo ser otimista mesmo. Embora, eu me conheça, daqui uns dias estarei esperançosa novamente, até por que eu vou fazer o que? Me jogar de um prédio? Se houvesse outra solução além de me tratar como as senhoras idosas se tratam para ter uma qualidade de vida melhor durante a velhice, eu faria, mas não vejo outra alternativa além de ficar muito triste com o que a vida me reservou...

Estou triste, estou triste e estou triste, e sim eu tenho esse direito. É Deus, estou com raiva, de novo, tá? E obrigada pela atenção.

Aprendendo com Calvin...


sexta-feira, 3 de maio de 2013

YES! Ovários existem, mas...

Nem bem postei ontem, já estou de volta hoje. É que não contava receber o resultado dos exames já hoje. Mas entregaram no mesmo dia. E como prometi, vim para contar.

Fiz hoje os exames pedidos pela ginecologista, ultra-sons de mama, tireóide e transvaginal. Mama está tudo na mais perfeita ordem, ela também visualizou o cateter quando foi olhar a mama direita, a médica foi bem cuidadosa olhando até a parte axilar. Tireoide também, tudo certo e tamanhos normais. Os valores deram menores que o exame de 2010, mas não sei que relação isso possa ter, mas no exame ela declara tudo como normal. Perguntarei a ginecologista.

Agora a parte mais importante no momento, útero medindo 5,0 x 4,0 x 2,8 cm (vol. = 30,9 cm3), de volume normal, contornos regulares, textura homogênea e sem tumorações em suas paredes. No exame de 2010 meu útero era maior medindo 6,6 x 4,2 x 3,5 cm (vol. = 
52,4 cm3). Mas segundo minha cunhada (médica) Tati, o tamanho do útero depende da época do ciclo menstrual... Aí, como antes eu tinha isso né, e hoje eu não tenho, deve ter a ver. Resumindo: Útero ecograficamente normal.

Ovários. Quando a médica começou a falar... Achei que não iriam existir, até comentei com ela, aí ela disse: "Sim, eles tão lá, mas pequenininhos...". Vamos para as comparações:

2010 -> Ovário direito: 2,9 x 2,0 x 2,0 cm (vol. = 6,2 cm3)
2013 -> Ovário direito: 2,4 x 1,4 x 1,2 cm (vol. = 2,3 cm3)

2010 -> Ovário esquerdo: 2,7 x 2,0 x 1,6 cm (vol. = 4,9 cm3)
2013 -> Ovário esquerdo: 2,0 x 1,5 x 1,2 cm (vol. = 1,9 cm3)

"Ovários de volume reduzido e textura preservada (correlacionar com tratamento radioterápico prévio)".

Dá pra ver que reduziram para menos da metade do volume total que tinham. De toda forma, isso ainda não quer dizer muita coisa. É preciso saber se existem óvulos, e isso só um exame de reserva ovariana pra saber. Segundo minha cunhada me disse, existe um exame de hormônio Anti-Mülleriano e reserva ovariana, o AMH, é o marcador bioquímico que melhor prediz a resposta em ciclos de FIV (Fertilização In Vitro) e o cancelamento de induções de ovulação.

Semana que vem marco a gineco, e levo os exames e acredito que o próximo passo agora é saber se tenho óvulos, e se eles são viáveis. Se existirem, acredito que o melhor é já retirá-los e preparar os zigotos, (porque o congelamento de óvulos não é ainda tão seguro quanto o de espermatozoides e dos zigotos). Enfim, ainda existem muitos poréns... 

Confesso que não fiquei feliz e radiante, e nem chorei na mesa durante o exame. Mas fiquei feliz deles estarem lá e só. Não vou sonhar, ainda há tempo pra quebrar a cara. Alguns podem me achar meio pessimista, mas nem é. A questão é que quando se acredita em tudo e se decepciona sempre, a pessoa aprende que não vale a pena sonhar tanto assim. Quanto mais alto, maior a queda, foi assim que a vida me ensinou. Sonho, mas com meus pés bem pregados no chão.

Quando saí, a primeira coisa que fiz foi contar pra o meu namorado, afinal ele é tão interessado quanto eu, pois quem sabe teremos nossos filhos com nossas carinhas? Acho que mesmo que eu possa ter, eu toparia adotar pelo menos um. Minha forma de agradecer à vida. Darei tanto amor, como se fosse meu. Foi assim que me senti um dia desses, quando na escola, chegou uma ex-aluna com um bebê. Tão linda, tão fofa a nenemzinha... Se eu tivesse uma daquelas pra mim eu amaria, tanto quanto tivesse saído de dentro de mim. 

É isso aí, continuem torcendo. Neste mês ainda teremos revisão da radioterapia, exame da retossigmoidoscopia e se eu conseguir, a consulta com a gineco.
Beijos!


quinta-feira, 11 de abril de 2013

"Eu rabisco o sol, que a chuva apagou..."

É, parece que não vai dar mesmo. Ok, podem me chamar de negativa, mas eu já sofri com ilusão, sei como dói e por isso não preciso de mais uma. É como dizer pra uma pessoa sem braços, que fique tranquila e espere que o braço dela vai nascer. Não vai. Algumas coisas são realmente impossíveis. Eu queria apenas passar por todas as fases da vida, como as pessoas normais, não é nada do tipo: "Ohhhhhhh quero muito ser mãe, e vou morrer por causa disso." Não. Só quero nascer, crescer, reproduzir e morrer, é pedir demais? Saber o que é ficar grávida, passar por isso pelo menos uma vez.

Hoje peguei na internet os resultados dos exames das dosagens hormonais. O primeiro deles foi o estradiol, que deu 5.0 pg/ml. De acordo com os marcadores, está num nível de pós-menopausa. O estradiol é um hormônio produzido pelos ovários e é o mais importante, é ele quem estimula a liberação do óvulo, e as contrações das trompas de falópio que empurram o óvulo fertilizado até o útero. Mais informações clica aqui.


O segundo hormônio é o FSH. Esse é quem comanda a produção dos óvulos. Conversando com minha cunhada Tati, que é médica, ela me disse que níveis elevados não são bons, por que mostram que a hipófise (que é quem produz esse hormônio) está produzindo no nível máximo, pra tentar ovular, por que provavelmente existem poucos (ou nenhum) óvulos. E meu nível de FSH está altíssimo, 138 mUI/ml. Ela ainda diz que nos casos de investigação de infertilidade seria bom fazer exames mais invasivos para verificar se existem óvulos viáveis, e congelá-los para não ter o risco de ficar infértil de vez.


Agora, só falta fazer o ultra-som e constatar que realmente não há nada lá. E é assim que eu vou pra esse exame, por que não preciso mais de falsas esperanças. Nem chorei muito, derramei apenas uma lágrima, mas isso não vai ajudar mesmo, estou pensando agora nos nomes dos dois bebês que eu vou adotar. Tati, assim como minha mãe, acha que pode mudar, que meu corpo pode reagir de forma diferente no futuro. Depois de pesquisar sobre o alto nível de FSH ela já não foi mais tão positiva assim. Mesmo assim ela me disse que o corpo humano não é receita de bolo, e que se tiver de haver alguma recuperação, vai ter, e mesmo com as altas chances de não ter, não sabe se é definitivo.

Não acho que vai fazer bem pra mim acreditar nisso. Como eu disse, braços não nascem novamente, assim como óvulos não vão brotar dentro de mim. O mais frustrante é ver coisas como a que eu vi hoje no jornal, uma mulher em Garanhuns vendendo o próprio bebê por 3 mil reais. Como eu já disse, odeio o caos que é o Universo. Mas se ele decidir ser favorável pra mim, ótimo. Se não... Milagres realmente não acontecem. Ou pelo menos na minha vida não têm que acontecer, e o nível de sofrimento aumenta igual ao FSH, no máximo!

Sim, estou muito feliz de ainda estar viva, mas isso não me impede de ser um pouco triste. 



"E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz, mas tudo bem..."

terça-feira, 9 de abril de 2013

Ainda há esperança - Um mês de remissão

Na verdade faz pouco mais de um mês que estou livre das quimios, nem quero lembrar como era... Mas vamos lá, por que tenho muita coisa pra contar e o post fica gigantesco assim. Fui para minha primeira consulta de revisão, depois de um mês do fim do tratamento, munida de Ressonância Magnética da pelve e abdome total + Raio X do pulmão /perfil + exames de sangue. Cheguei lá no CPO (Centro Pernambucano de Oncologia) e enquanto esperava pra entrar na sala de Dra. Roberta, saiu um senhor da salinha de quimio com um infusor igual ao meu... Gente, eu olhei e na hora me deu um mal estar... Parecia que eu sentia um pouquinho de como era aquilo de novo. Mas logo, fiquei feliz de não  fazer aquela quimio ontem!

Ser paciente oncológico e ir pra consulta é engraçado... Você chega, e todo mundo te pergunta se você tá bem... E é muito bom dizer: "Estou bem!". Pelo menos lá no CPO é assim. Chegou minha vez, entrei, Dra. Roberta me recebeu com um sorrisão! Foi muito bom vê-la novamente, gosto demais dessa médica. Perguntou como eu estava, falei rapidinho e logo mostrei os exames e disse a ela que tinha um montão de coisas pra perguntar.

Comecei dizendo minhas queixas que era somente um cansaço que ainda sinto, que ela disse que é bem normal, já que ainda está recente. E algo que apareceu nas últimas semanas, uma dormência/formigamento nas pontas dos dedos de mãos e pés. Ela disse que é normal, e vai durar um tempo. Comentei que estou derrubando tudo que pego, ela disse que tem a ver com isso. Efeito da Oxaliplatina maledeta! Saiba mais sobre ela aqui. Ao menos ela me disse que em raros casos esse efeito é permanente. Felizmente não sinto dor ao pegar coisas geladas. Também comentei que meu cabelo continua caindo horrores, ela disse que eu só fizesse "estripulias" no cabelo quando melhorasse a queda! =p

Em seguida fui examinada, como de praxe, como ela fazia em toda quimio... Pressão, batimentos, pulmão, e busca de "caroços". Tudo ok. Fui me pesar, 51 Kg, tá difícil voltar ao peso normal, mas estou tranquila, minhas calças já não caem mais quando eu ando. E aí vamos para os exames. Raio X tudo certo, exames de sangue também! Só a medula que não recuperou ainda, leucócitos super baixos: 2920, sendo que o mínimo é 4000. E a creatinina, que é a deficiência muscular.

Na ressonância foi que surgiram umas novidades. Ela olhou todas as imagens, queria uma aula ali pra entender quais são os órgãos, mas ela estava olhando tudo com tanta atenção que não quis atrapalhar. Só comentei o quanto é difícil entender. Mas o laudo apresentou alguns pontos, vamos por partes:

1) "Fígado tem dimensões normais, contornos e limites bem definidos, sem sinais de dilatação das vias biliares intra ou extra-hepáticas. Observamos uma discreta área de alteração de sinal no segmento medial do lobo hepático esquerdo, próximo a fissura do ligamento falciforme, não sendo caracterizada nas sequências pós-contraste e parecendo representar uma falsa imagem." 
2) "Existe uma imagem milimétrica localizada no segmento V, imediatamente anterior a vesícula biliar medindo de 5 x 6 mm nos maiores diâmetros transversos de aspecto indeterminado no presente estudo."

Por conta das alterações citadas acima no fígado... Vai ser preciso acompanhar... Confesso que isso foi o que mais me entristeceu. Eu esperava um exame limpo, e me vem uma tal coisa medindo de 5x6 mm... Sabendo que metástase de CA intestinal vai pra fígado e pulmão. Mas fazer o que? Daqui a dois meses, tem uma nova ressonância, do fígado, com contraste. Até lá estou vivendo!!

3) "Baço e dimensões normais com parênquima homogêneo. Há imagem sugestiva de baço acessório inferiormente ao parênquima esplênico."

Perguntei logo se esse tal de baço acessório num vai me causar problema, ou virar algo maligno. Como Dra Roberta me tranquilizou, deixa ele aí... Descobri que 10% das pessoas no mundo têm um ou mais baço acessório!

4) O estudo da região pélvica demonstra alterações pós radioterapia com sinais de lipossubstituição da medular óssea do sacro.
5) Há sinais de disco-artrose L5-S1 com protusão discal difusa deste disco.

Toda hérnia de disco é uma protusão discal, mas nem toda protusão discal é uma hérnia de disco. Eu não pretendo me abestalhar, vou procurar um ortopedista e ver o que fazer, pra amanhã eu não estar aí toda entrevada, quero fazer musculação para fortalecer os músculos. Vou consultar um médico (mais uma especialidade pro meu rol) e ver como melhorar!

Pra finalizar a consulta, vamos para os ovários né? Vocês sabem do meu desejo de poder ter um filho. Eu nem questionei nada, Dra Roberta foi quem começou a falar. Disse que na ressonância ela não colocava que eles existiam, mas também não dizia que não existiam. E aí ela falou uma coisa que me deixou de orelha em pé. Uma frase na ressonância diz: "Não há massas anexiais.". E se tinha isso provavelmente os ovários estavam lá. Fiquei sem entender, perguntei de novo. Ela repetiu... E hoje catei na internet. Descobri o seguinte: "Massas anexiais é alguma massa vista, verificada em algum de seus anexos. O que são os anexos? Os órgãos que ficam junto ao útero, ovários, trompas." Aí ela perguntou sobre a menstruação, falei que não tenho desde a primeira quimio e passou um exame de sangue para medir os níveis dos hormônios: FSH e Estradiol. Pretendo fazer amanhã. Tenso.

Depois cheguei lá na enfermaria, revi enfermeiras e um pessoal muito legal lá. Foi bom, Dra Roberta disse: "Temos uma visitante hoje!" E fui lá pra fazer a limpeza do cateter. Foi rapidinho, e farei novamente quando for lá daqui a dois meses.


Esperando pra fazer a limpeza do cateter.. Desejo: nunca mais usar essa maquininha  novamente!

Escrevi pra caramba né? Quem mandou vir tanta coisa no exame? Podia ter vindo que tava tudo bem, mas aí é sem emoção né? Lembro quando eu estava em Natal e fui fazer um passeio de buggy com duas amigas, o rapaz que nos levou perguntou: "Vocês querem o passeio com emoção, ou sem emoção?" Dissemos: "COM EMOÇÃO!!!" Acho que você entendeu. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Cirurgia chegando...

Voltei amigos, para dar mais notícias. Essa semana inteira foi uma correria enorme: trabalho, prova, monografia, médicos, exames, resolver coisas da cirurgia, cozinhar, lavar pratos... Enfim, descobri que ainda preciso ficar mais forte! =p

Antes de mais nada preciso dar a notícia do resultado da nova Ressonância Magnética, que fiz pós tratamento de RT e QT. O resultado foi ótimo, pois houve grande redução do tumor. Apesar de Dra Claudia não ter gostado, não do resultado, mas da forma como foi feito o exame, pois não estadiaram, não disseram para que nível ele regrediu. Mas o que importa mesmo é que houve uma satisfatória regressão e aparentemente o útero e os ovários estão em tamanho normais e preservados. Deus existe, Dr Ernesto (onco da radioterapia) é fera, os técnicos foram show na aplicação da radiação, e todas as forças positivas, rezas e orações fizeram com que essa situação conspirasse para isso, então: OBRIGADA!!! E todos os pontos positivos como minha idade, por exemplo, também têm sua porcentagem neste resultado. 

Aqui está a imagem do texto da RM pré-tratamento:


Clicando eu acho que dá pra visualizar melhor e ver que nela foi colocado o estadiamento: T3N2M0. O M nem entrou aí, por que o M se refere à metástase, e como não havia metástase no meu caso, ele é zero. O N é relativo aos linfonodos, e o T o próprio tumor, por exemplo, quando ele atinge outros órgãos é T4. Abaixo o texto da RM pós tratamento:


Como vocês podem ver, não tem o estadiamento... Que era o que Dra Claudia mais queria, segundo ela é inexperiência do médico... Mas enfim, não foi encontrado nenhum linfonodo, são eles que levam células cancerígenas pela circulação sanguínea e pelo sistema linfático, por isso são perigosos, e não foi encontrado nenhum visível. Dra Claudia ficou feliz pois ela fez o toque e apesar de não dizer muito bem na ressonância, mas a diminuição foi considerável, tanto que ela não cogitou a cirurgia aberta, mas isso ainda vou confirmar com Dr Figueiroa.

Tive que voltar aos remédios, pois a fissura não melhorou e estou num "intensivão" pra melhorar isso até a cirurgia. Sobre a cirurgia, ela disse que existem as complicações, como por exemplo, pontos se romperem, forte sangramento, necessidade de operar novamente, mas que isso só acontece em certa de 5% dos casos. A documentação está toda pronta, e tudo foi liberado inclusive o equipamento para vídeo que é bem complicado de liberarem, sala de cirurgia também reservada e parecer cardiológico pronto! 

Ela falou que vou precisar de 4 bolsas de sangue, e neste mesmo dia dei entrada no Hemope. Haverá uma preparação para a cirurgia como a feita para colonoscopia, mas como Dr Figueiroa será o cirurgião, ela deixou pra que ele definisse, algumas coisas eu não perguntei por que achei melhor perguntar logo pra ele, já que ele quem vai operar. No mais, voltei para a Vitamina C, o Nutrem, e dois ovos por dia, para melhorar a imunidade.

Pois é pessoal, melhor notícia não poderia haver! A sensação de alívio foi maior, muito maior que a de "felicidade". Eu realmente me sinto mais tranquila e com mais certeza de alguma coisa, principalmente em relação à regressão do tumor e a situação dos ovários depois da radiação pélvica. Mais tarde, veremos e se não estiverem funcionando, aí procurarei os médicos e veremos que medicação pode ajudar, não é? Mas saber que eles estão ali, nossa... Me dá um alívio muito grande, de que existe uma possibilidade mais concreta de que eu vou poder ter aquela vida normal, que eu sempre sonhei.

Continuem torcendo, semana que vem farei a tipagem no Hemope, vou pegar o resultado dos exames de sangue e a consulta com Dr Figueiroa. Quero me recuperar logo, ficar boa e voltar pra vida normal... =)

Obrigada de novo, pelo carinho, apoio, palavras amigas. E nunca esqueçam: DOE MEDULA! DOE SANGUE!